Porta da Rua do Castelo: Deuteronómio 6 na Paisagem Urbana de Lamego

📅: 2024-08-02 |  📷: samsung SM-A336B
🔆: f/1.8      |  🔍: 4.65 mm
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Na Rua do Castelo, em Lamego, dentro do perímetro amuralhado e logo após a Porta do Sol, encontra-se esta porta de madeira pintada de vermelho, onde foi fixado um curioso dispositivo metálico enferrujado. Sobre o suporte de ferro forjado, que integra uma chave antiga e elementos estruturais reaproveitados, repousa um pequeno pergaminho manuscrito protegido por uma película transparente. A composição evoca, de forma evidente, a prática judaica da mezuzá — o estojo ritual colocado no umbral direito das casas judaicas, contendo um klaf com os versículos de Deuteronómio 6:4-9 e 11:13-21, escrito por um sofer. Lamego possui uma memória sefardita significativa, materializada, entre outros aspetos, na existência histórica de uma judiaria documentada antes do édito de expulsão dos judeus e muçulmanos promulgado por D. Manuel I em 1496, cuja aplicação se concretizou no ano seguinte. Contudo, neste contexto, o objeto poderá igualmente corresponder a uma prática contemporânea de consagração doméstica entre cristãos evangélicos, que utilizam o mesmo texto bíblico como forma de proteção espiritual, ou tratar-se de uma evocação estética e patrimonial inspirada na herança judaico-medieval da cidade.

On Rua do Castelo in Lamego, within the walled perimeter and just past the Porta do Sol, stands this red-painted wooden door, to which a curious rusted metal device has been affixed. Resting on the wrought-iron bracket—which incorporates an antique key and repurposed structural elements—is a small handwritten parchment protected by a transparent film. The composition clearly evokes the Jewish practice of the mezuzah—the ritual case placed on the right doorpost of Jewish homes, containing a klaf with the verses from Deuteronomy 6:4–9 and 11:13–21, written by a sofer. Lamego possesses a significant Sephardic heritage, evidenced, among other aspects, by the historical existence of a Jewish quarter documented prior to the edict expelling Jews and Muslims issued by King Manuel I in 1496, which was enforced the following year. However, in this context, the object may also correspond to a contemporary practice of domestic consecration among evangelical Christians, who use the same biblical text as a form of spiritual protection, or it may be an aesthetic and heritage-based evocation inspired by the city’s medieval Jewish heritage.

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