Pela Geira adentro: Caminhar na Reserva Biogenética da Mata de Albergaria
A Mata de Albergaria, no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, no concelho de Terras de Bouro, é hoje um dos mais importantes bosques de carvalhal autóctone do noroeste peninsular, integrado no conjunto das matas de Palheiros e Albergaria. Este bosque, dominado pelo carvalho‑alvarinho (Quercus robur) e pelo carvalho‑negral (Quercus pyrenaica), conserva a estrutura típica dos carvalhais galaico‑portugueses em estado próximo do clímax florestal. O trilho que o atravessa acompanha, em parte, o traçado da Via Nova, também designada Geira, a via romana XVIII do Itinerário de Antonino, que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), uma das estradas romanas melhor documentadas do noroeste hispânico, com numerosos miliários ainda in situ. O sub‑bosque, rico em azevinhos, fetos, musgos e líquenes, denuncia as condições de humidade atlântica que sustentam esta floresta caducifólia e a boa qualidade do ar que aqui se respira. A relevância ecológica da Mata de Albergaria justificou a sua classificação, pelo Conselho da Europa, como Reserva Biogenética das Matas de Palheiros e Albergaria, e, desde 2009, a integração na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês‑Xurés da UNESCO.
The Albergaria Forest, in the heart of the Peneda-Gerês National Park, in the municipality of Terras de Bouro, is today one of the most important native oak forests in the northwestern part of the Iberian Peninsula, forming part of the Palheiros and Albergaria forest complex. This forest, dominated by the pedunculate oak (Quercus robur) and the Pyrenean oak (Quercus pyrenaica), preserves the typical structure of Galician-Portuguese oak forests in a state close to forest climax. The trail that crosses it partly follows the route of the Via Nova, also known as the Geira, the 18th Roman road on Antoninus’ Itinerary, which connected Bracara Augusta (Braga) to Asturica Augusta (Astorga). It is one of the best-documented Roman roads in northwestern Spain, with numerous milestones still in situ. The understory, rich in holly, ferns, mosses, and lichens, reflects the Atlantic humidity that sustains this deciduous forest and the high quality of the air here. The ecological significance of the Albergaria Forest led to its designation by the Council of Europe as the Matas de Palheiros and Albergaria Biogenetic Reserve and, since 2009, its inclusion in the UNESCO Gerês-Xurés Transboundary Biosphere Reserve.



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